6.2.09

reflexão



Usar o que “está na moda” é já por si, “estar fora de moda”.
Como traduzir o conceito in/ out?
Sensibilidade estética.
A apologia do estilo intemporal – do sermos iguais a nós mesmos, sem o subterfúgio estereotipado catalisador de personalidade.
Se há criadores que se “descolam” dos padrões, numa linguagem muito própria, à mercê da criatividade, outros admitem não deixar de ter em conta as “correntes de gosto” gerais.
(O inconsciente colectivo das tendências.)

A moda democratizou-se, e tornou-se um mix de influências, que muitas vezes revisitam o passado.
Um fenómeno cíclico de reinterpretação permanente.

Nada é mais deprimente, do que usar “o que se usa”.
Será a globalização cultural uma engrenagem de estupidez estética colectiva?
Viva o kitch e o minimalismo, o casual e o trendy!
A fusão original de tudo o que nos apetecer.
Em consciência.



Por isso, eu adoro os estilistas!
O conceito cortado em tecido.
A liberdade do vestuário, feito forma de expressão.
Quem somos? Como comunicamos? Que mensagem queremos passar?
Que nada disto tenha importância.
A simplicidade vs complexidade do EU depurado – adornado pela nossa forma de ser, de estar e de sentir.

“Compre peças que vai querer usar durante anos. Conheça-se a si mesmo, e use só o que for para si.”
A cor da moda é o “flavor of the week” descartável, como o trapinho da estação.
A qualidade surge como valor inabalável.
Qualidade de design, de materiais, de identificação.

Um desfile de moda enquanto manifestação artística, não tem de ser óbvio ou consensual.
São flashes de imagens que deixam o nosso espírito voar por entre cores e texturas, volumes e formas, combinações imprevistas e mensagens codificadas.
Se Dior ainda acelera corações, e a alta-costura se apresenta como aquele mundo paralelo de exuberância que sempre nos fará sonhar…
Que o culto da beleza individual, pessoal e intransmissível, esteja presente nas nossas vidas – no luxo ou simplicidade.
Que a “pratica estética”, seja o guia das nossas escolhas.



O estilo, não é uma mascara adaptável.
Vem de dentro para fora. O interior, reflecte o exterior.
É auto-conhecimento e atitude, projectados em imagens.
É uma forma de rebeldia. De ousar o que mais ninguém usa.
De estar à frente do nosso tempo.
É brincar com a oferta, e adapta-la.
E estar para alem de tudo isto.

A moda?
Uma futilidade necessária, ou a montra histórica - social - psicológica e cultural de toda uma sociedade?

Moda é arte.

7 comentários:

aline disse...

Por isso uso o que eu gosto, o que valoriza o meu corpo, o que me deixa alegre. Vivo na onda do Enjoying myself, e já dou a minha contribuição para o mundo da moda.
Post maravilhoso!
Adorei
beijo

Diva disse...

Olá Inês :)

Obrigada pelo teu "elogio" :)

Gostei muito do teu cantinho e irei linkar-te.

Bisou

Andrea - Vanguarda disse...

Adorei seu blog vou fazer um link com o Vanguarda.
bjs

Sonia Schmorantz disse...

A palavra mágica
dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.

Carlos Drummond

Lindo domingo!
abraços

Anónimo disse...

Um excelente e inteligente texto.
Daqueles que não sai de moda.

Nuno

Gothicum disse...

"Que o culto da beleza individual, pessoal e intransmissível, esteja presente nas nossas vidas – no luxo ou simplicidade."

Ora aí está uma frase que não se perde na veracidade da vida. Às vezes o sofisticadamente simples, sem grandes modas, é o que cai melhor no corpo e na alma. Para estar na “moda”, em primeiro de tudo, é necessário vestir e aconchegar o espírito interno pois, caso isso não aconteça, não haverá Dior nem Versace que embeleze o exterior. O texto está muito bom, excelente reflexão. Abraços

Pepa Xavier disse...

Olha quem eu encontrei pela blogosfera! Então Inês como é que estás? Vais à próxima edição da Moda Lisboa? beijinho

Filipa